
Dias de chuva fazem sangrar
Data 06/09/2014 00:39:45 | Tópico: Poemas
| Naquele momento eu descobri uma verdade: noites de chuva fazem sangrar. Contemplando a solidão revestida num olhar, para não romper com o inevitável, Eu deixei a chuva cair.
Ainda hoje recebo seus pingos ácidos. Na varanda de meus pensamentos mais ocultos, aquela dor renasce silente e pura, quase branca, Fazendo de meus dias ofertas vãs. As horas são nostálgicos versículos sem santidade. O vento da noite atrofia meus sentidos.
São escuros os contornos da existência. Uma noite sem estrelas: eu sigo o caminho. Sinto tocar no rosto, unindo às lágrimas, A mesma chuva que nasceu outrora e que molhou meu rosto com segredos. A dor e os trovões compõem sinfonias.
As ruas são tão intimas de quem nada tem. Somos herdeiros de moléstias ancestrais caminhando dementes com nossos sapatos sujos. Dançamos molhados e loucos como num velho filme. A chuva cai desconhecendo tudo.
Esquecer é uma dádiva que não disponho. Amaldiçoado estou pela vivida memória do tempo, por todas as chuvas, por todos os sentidos em combustão. Meus versos dormem ao relento. Meu corpo é a continuação da sarjeta que fiz morada. E a chuva cai, contínua, inquiridora, Lembrando sempre o axioma maldito: dias de chuva fazem sangrar, sempre.
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