
EPOPÉIA DA MARCHA PARA O OESTE
Data 31/08/2014 03:10:11 | Tópico: Poemas
| O portal da aurora translúcida foi aberto No ponto mais alto da Serra do Roncador Auriverde pendão fincado Pela Bandeira Piratininga, Dourado céu, púrpura-anil respinga, Germina o porvir, Semente do Sol, Transcende a civilização no crisol.
Um pouco antes... Xavantes, Pouco depois, Bandeirantes do Século XX Seguem o traçado de memória, Lei maior que determina Novo rumo na história. Tempos de sonho-realidade, Eldorado, entre constelações O manto azul bordado, Cruzeiro do sul ... Três Marias, O caminho todo estrelado, Via láctea do elo reconhecido Entre o presente e o passado De povos que, de repente, Têm um encontro marcado.
Sombras toscas da noite descem Sobre o mistério revelado, Rompem estalos no limite possível do imaginário, Onde o cerrado retorce o tronco E brota do chão uma flor... Mãos, botas e facas abrem picadas, Avançam os pioneiros no sertão, Deixam marcas, cinzas, braseiros E passos ... Na pista do desconhecido atalho, Segue a expedição, inicia o trabalho...
Do Roncador ao Xingu Penetrar a Amazônia, Pelo Brasil Central Demarcar nova estrada, Antes que seja tarde... Liberdade... Vai nascer a capital, Brasília ... A Cruz Bendita, No Planalto Central... No coração brasileiro, criar vilas e cidades, Expandir o celeiro, avançar no ideal.
Segue o homem o rastro do cometa sideral Qual estrela anunciadora, Nova manjedoura da mistura racial, Raça Cósmica anunciada Pelos modernos profetas, Fruto das dores e esperanças De toda a humanidade.
Entre as colunas das Serras Do Roncador e Mantiqueira, Ergue-se, bem alto, a fogueira Da vida que se fermenta Após a última tormenta, Antes do próximo final...
Gira o tempo... A ampulheta registra Nova conquista, No tilintar dos metais Confundindo enxadas e bateias, Ganância de ouro nas areias, No rastro do século XVII Garimpeiros moendo a rocha do Araés, Veios que indicam riqueza e peste Na Marcha para o Oeste.
Antes, luta de descobertas, Hoje, luta de posse das glebas. Cresce o Vale do Araguaia, Última cruzada que indica O lastro do sagrado que edifica, O Santuário do vir a ser. Além da última fronteira, Após a travessia do Rio das Mortes, Da ponte que religa tantas sortes, Água verde-esmeralda purifica O vislumbre celeste das hostes.
Reencontro de ambições e festas, Soma de lições de um povo que atesta A coragem desses homens Que abraçaram esta missão De abrir caminhos novos de civilização. Pioneiros destemidos Caminhando no sertão, Rompendo a fronteira do desconhecido, Realizando a Expansão
Avante, Geo-Centro! Avante, Brasil Central! Ergue bem alto esta tocha, Faz brilhar esta estrela! Revive o sonho-celeiro, Alvorada de luz ... Vitória da vida que reluz No Centro-Oeste Brasileiro.
1991
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