
ALENTEJO
Data 27/08/2014 19:34:09 | Tópico: Poemas
| António Casado__________ 14 Setembro 2007 Publicado__________ Clamor do Vento Registado __________ Depósito legal 306321/10 Editora__________ WorldArtFriend Trabalho__________
ALENTEJO -
Campos verdes que procurais uma definição Pátria Para a beleza que exalais Que a vida geminada de vós Exalte a grandeza desse imenso sonho colectivo De dividir o trigo pela enxada!
Nas searas verdejantes Nos montes batidos pelo sol Da terra constante e vermelha Como se o caudal da distância Se derramasse em sangue pelo vosso povo Ergue-se o grito mudo Como sinónimo da vida que rebenta em cada ramo Hino de terra remexida Alardeando a longevidade do Alentejo.
Aqui A copa das árvores brinca com as nuvens As urzes derramam em sombras o deleite No desaguar perpétuo das espigas maduras
Oh terra! Abri-vos ao apelo lançado pelas formosas cegonhas Que planam pelo mais profundo da consciência! Recordai neste sonolento passar do tempo A pressa das sementes geradas no pão moído Nos ancestrais moinhos de vento! Que estes arrozais acordem Para que numa opereta de Sado Guadiana Mira e Atlântico Ressurjam do mar os guardiões rochedos Que colonizam a Vicentina costa! Que os estranhos corcéis do passado Trespassem com a mesma espada de sangue A seiva brotada destes pinheiros mansos!
Acordai caótica árida beleza! A melodia que se liberta dos grãos de areia São hossanas Na voz dos homens e mulheres que te bradam Num conjunto total sonhador e profético! Acordai oh vento cearense profano e cálido! Conta as aventuras dos teus filhos em luta Pelas pedras húmidas das ribeiras claras!
Levanta-te da laje fria Catarina! Traz no regaço um filho e uma foice No arado guerrilheiro No grito de justiça Na rendição serena das oliveiras negras! Que Aljustrel produza Gomas de encanto e fortuna Com que amamente de sonhos O suor toupeira dos seus homens!
Cantem os sobreiros a dança da chuva Na aridez ainda desértica do próprio grito Que se ergue na gravidez solidária da terra!
Para quando a promessa de um acto de coragem Que faça rejuvenescer na alma a certeza Dos costumes de cortiça desta gente?
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