
MÃO ESTENDIDA
Data 25/08/2014 21:11:12 | Tópico: Poemas
| António Casado__________ 31 Outubro 2009 Publicado__________ Clamor do Vento Registado __________ Depósito legal 306321/10 Editora__________ WorldArtFriend Trabalho__________
MÃO ESTENDIDA -
Como as folhas caducas Se arremessam ao chão No Outono Cansadas de tantas lutas Tanta agrura Assim sou eu Ainda combalido com o mundo Que respira Para usurpar o que é meu.
O que tenho é tão pouco…
Um naco de sol que me ilumina Um pedaço de ar que respiro Uma onda Que por qualquer razão Me fascina… Delírio Que antes de ser sonho Foi paixão!
Fragmentos do coração…
Livros esquecidos no estendal do tempo Pequenas histórias de que sou autor Cordilheiras de ilusões… Enormes pergaminhos de desilusões Coleccionados ao momento Troncos de árvores quebrados Vazios e obsoletos Cadernos de apontamentos triturados Pelos fantasmas do meu tempo.
Se houveram jardins Cujo perfume não senti De tão inacessíveis O estio a erva secou As flores murcharam… Se houveram lagos Cujo azul nunca vi Marginaram linhas de ilusão Num delírio sem palavras Que um dia Por ignara sapiência Escrevi.
Se olho para uma pedra E a chamo de minha - Só porque ninguém a chama de sua Fico contente. Nessa pueril alegria Crio versos Dou asas à fantasia Corro pulo grito como louco Pela rua…
De meu Tudo o que a imaginação me pode dar: Uma folha de malmequer Uma pena da ave que nunca soube voar O cume da montanha que eu quiser Tudo o que o olhar abrange Tudo o que o coração oferecer Tertúlia de riquezas expostas numa esfinge Que ninguém pode ver.
Todo o pão que desejo repartido Pelas bocas que gemem a fome Apodrece-me no ventre Em agonia! Todas as lutas que travei Todas as sepulturas que cavei Têm gravado o meu nome Em lápides de ironia!
Porque me querem tirar o mundo Se ele próprio não me quer?
Passo por ele – Que ele nunca passa por mim – Como um órfão plangente Que busca refúgio num jardim…
Se por acaso estendo a mão Para colher uma flor Logo ele Apreensivo Arrogante Me intimida:
- Então?! Queres o jardim?
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