
QUERIA SABER O TEU NOME
Data 23/08/2014 11:21:42 | Tópico: Poemas
| António Casado__________ 22 Agosto 2009 Publicado__________ Clamor do Vento Registado __________ Depósito legal 306321/10 Editora__________ WorldArtFriend Trabalho__________
QUERIA SABER O TEU NOME -
Não sei como te chamas…
Cruzaste comigo a galáctica dos olhos… (Foi tanta a luz que pensei ser um caminho)! Como um cego um louco ou um amante Na esperança de te encontrar na avenida de mim Com débeis recortes de futuro Construí imagens de uma vida gémea e delirante Comentei a grandeza desse brilho hilariante Projectado no cerne da minha ansiedade Por um holofote de mil matizes Tão maravilhoso quanto excêntrico E perfumei-o de um desejo tão obsceno quanto fatal. Os dicionários ocultaram a palavra ideal Para descrever a púrpura de tanta beleza Mais viva que a vida que palpitava nas veias Da minha infantil e cruel liberdade!
Nada disse. Limitei-me a seguir o constructo do sol Que em mil pequenas ramificações me conduziam ao teu rosto Convicto da minha chegada intemporal. Não me perguntem onde fica esse caminho… Nem eu mesmo quero saber!
Não sei como te chamas…
Abracei-me aos teus lábios sorridentes Como uma abelha defende na colmeia A causa justa e verdadeira do pólen. A sensualidade dos contornos macios da papoila Transportada por Osíris para os teus lábios de amendoeira Era mais delicada que as pétalas das roseiras Mais fluorescentes que as abertas asas das borboletas. Estendi os dedos na aflição de sentir O teu sopro morno e extasiado sobre a derme Vibrar nos meus nervos alucinados Como se o ar expirado pelos pulmões Fosse uma lufada de Amazónia no meu canteiro E um breve gemido de prazer rasgasse o veludo do espaço…
Não os abracei. Limitei-me a beijá-los num sonho. Não me perguntem o que senti… Nem eu mesmo quero saber!
Não sei o teu nome…
Enquanto as faces psicadélicas arrancavam sombras ao breu Passeava pelas avenidas virtuais das veias como Jonnas No ventre de um desejo tão possuído como eu. Soube que estavas à minha espera num jardim Junto ao curioso mar da nossa posse transcendente Debruçado numa janela de vento e promessas… Quanto quis lançar-me nesses braços de perdição Correr para ti como um átomo desintegrado Enlaçar-te no jasmim perfumado desta paixão! A carne fundir-se-ia numa centrifugação estranha Expeliria o conjuro das nossas duas solidões Ficaríamos expostos ao mundo no vitral da sedução… O fogo seria tão intenso que me perderia em mim! Envolto na mais vampírica labareda só queria ter-te Transpirar com a tua pele de lua cheia Numa dança frenética e sem fim…
Não fui. Limitei-me a ser possuído num grito. Não me perguntem o que ansiei… Nem eu mesmo quero saber.
Não sei o teu nome…
Quando regressei à mesma noite Ao bar dos esconjurados do destino de hoje À minha volta num frenesim fanático Explodia a multidão que dançava. Já não estavas… Contigo levaste um pedaço deste coração apaixonado Que vive no silêncio de um sonho mal sonhado Mal sentido e mal vivido… Um sonho que não pode falar! Agora aguardo que num outro pedaço de vida Nos possamos cruzar numa das avenidas do meu ser Onde posso gritar ao meu ouvido: - Quero-te! Então os meus braços entorpecidos abraçar-te-ão O meu peito aflito abrir-se-á em lava e lume E serei eternamente teu!
Escrito no bar gay “Haeven” e dedicado a um enigmático jovem que me impressionou
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/ne ... ryid=277228#ixzz3BDHeVAwz
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