
SILÊNCIO, A NOITE VAI PASSAR
Data 21/08/2014 20:50:18 | Tópico: Poemas
| António Casado__________ 17 Abril 2009 Publicado__________ Clamor do Vento Registado __________ Depósito legal 306321/10 Editora__________ WorldArtFriend Trabalho__________
SILÊNCIO, A NOITE VAI PASSAR -
Não tenho estrada… Olho para todos os lados e não me encontro. Nem lágrimas afloram aos meus olhos Cansados e distantes…
Em cada copo de uísque trago o silêncio. Embriago-me de pasmo e ódio e raiva Por tudo o que desconheço Porque nesta cruel solidão Só posso dizer que te amo… Te amo… te amo…
Não quero a luz do dia na minha garganta Nem o sufoco do calor no meu anseio! Quero uma onda de paz na ternura! Um bafo do teu calor sobre a pele!
Porque me feres? Porque me magoas? Porque me arranham as tuas unhas?
Quero um clamor de justiça na minha aflição!
O desespero e a angústia já nem são dor… É tão grande a chaga que nem existe pele Que possa dizer que um dia Cobriu este mísero corpo nu… Ai! Que facadas o céu me atira impunemente… Ó Deuses! Sou apenas mais um vagabundo A apunhalar o peito dormente!
Não tenho dias… Nenhuma luz é clara… Só um deserto de sombras Arruína minha alma! Eu Destilado por tanto padecimento Dissolvo num mergulho frio e hediondo A raiva e o conflito dos nervos!
Acreditava que todas as aventuras Eram parte de uma grande verdade…
Amava-te porque tu eras tu!
Oh! Como me enganava! Como bebia fel a pensar ser água Pura e cristalina… Oh! Como me embriagavas de prazer!
Eu Eterno experiente duma experiência vadia Deixei-me enrodilhar nessa paixão Nesse desejo, nesse querer… Que hoje não é mais que uma espada de enxofre! Que hoje me lambe as lágrimas de sorrir a sofrer!
Tanta punição! Tanta dor! Foge-me a inspiração pelas pontas dos dedos feridos Como a sombra do raiar da luz! Tanto clamor!
Eu disse-te coração: - Não quero amar! Todos os cantos do mundo Ouviram o grito desesperado O canto alucinado O meu medo…
Agora da paixão Resta a lágrima caída Dos olhos de uma ave morta Onde eu sou a flecha que a atingiu E o espírito partido dela.
Ai…! Se ao estender a mão a tua Viesse dormir sobre a minha E um pedaço de sombra Me aconchegasse nesta noite medonha… - Tenho medo do escuro, sabes? Ai…! Se ao pronunciar um nome - o teu Saciasse o meu desejo Então tu Perfeito e belo Talvez surgisses das sombras da indecisão E me dissesses… Apenas dissesses…
Ai…! Levem-me ondas Sepultai-me onde nunca veja a luz do dia! Vinde! Vinde ao meu encontro Oh aves do deserto! Alimentai-vos do meu corpo doente! Erguei-vos piratas do passado Lançai-me com fúria sobre os conveses Tomai meu corpo vil e violado!
Bebi… De que importa o que bebo? Morrer é tão-somente mais um dia. O dia que eu não quero! O dia que eu não tenho! O dia…
Bebi… Em cada trago vomito A minha agonia…
Se alguma felicidade me assiste É porque na minha ilha A noite nunca parte Nem amanhece o dia…
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