
Uma Ave No Meu Puleiro
Data 19/08/2014 22:56:16 | Tópico: Poemas
| Não jogarei os versos aos ventos. Nem serei eu o teu pior inimigo Também não serei o passatempo Que consideras o teu preferido.
Deixarei-te com o teu umbigo. Juro-te não arrancar-te o nariz. Continue assim. Será mais feliz. Tua felicidade não mora comigo.
Fique por aí, delirando sozinho, Buscando Xangri-lá ou a Utopia, Ladrando e lutando com moinho. Porém não faça isso com a poesia.
Fique, cão, mordendo o teu rabo, Rodopiando em volta de si mesmo O dia que chegar defronte ao espelho Vais ver o tanto que és tonto e otário.
Continue desperdiçando com picuinhas O precioso tempo que vai te consumindo Levando tua vidinha fodidinha de galinha Tomando todo santo dia no meio daquilo.
Continue assim, sendo Picasso falso, O fracasso no fabuloso sonho da vida Tua língua, tua íngua e o teu cadafalso A saliva que não curará tua chaga e ferida.
Continue assim: Pobre de ma-ré-de-si. Mas pobre, muito mais pobre de espírito Pessoa falando do Pessoa se ferram por si Cabeça de louva-deus ou de bicho-palito.
E, no mais, procure outro grosso pau Para trepar que o meu não é puleiro. Não é vero que eu seja assim tão mau Mas de galinha está cheio o meu puteiro.
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