
Um dia, tão cheio de brisa... Lá na Palestina
Data 05/08/2014 17:57:39 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| A imagem de um bebê queimado é chocante. Não há como fechar os olhos para as atrocidades Cometidas em nome da fé. A Faixa de Gaza é um corredor banhado de sangue inocente Enquanto os fanáticos Na sua fúria desenfreada só pensam na destruição do inimigo. Do lado israelense há menos vítimas Até porque aprenderam a se proteger depois do Holocausto Mas, não estão isentos dos ataques de fundamentalistas suicidas. No ano de 1096 Em um discurso inflamado e inconseqüente O Papa Urbano II incitava os cristãos europeus A marcharem para a Terra Santa e tomá-la dos muçulmanos. No discurso abolia-se o sexto mandamento: não matarás Desde que quem morresse fosse infiel ou herege. Milhares de pessoas perderam a vida Na esperança de encontrar salvação em Jerusalém. E o sangue jorrou nas areias escaldantes daquele deserto. Quase mil anos depois e os conflitos acontecem Em proporções maiores de crueldade. Até quando isso vai ser assim? O que leva o ser humano a se digladiar o tempo todo? Por que uma ideologia religiosa tem que ser superior à outra? Para onde caminha a humanidade? Um dia, tão cheio de brisa, lá na Palestina Jesus caminhou no meio de pessoas oprimidas pelo Império Romano E pregou a paz e o amor. Ame o próximo como a ti mesmo, dizia Ele. E onde está esse amor? Um dia, tão cheio de brisa, lá na Palestina Jesus olhou para o esplendor de Jerusalém e chorou. Sim, Ele chorou. Lágrimas saíram dos olhos do Filho de Deus Porque Ele contemplava o desespero de uma cidade Que virou as costas para Ele e seu amor. Quantas vezes eu quis te ajuntar debaixo de minhas asas, Assim como a galinha ajunta os seus filhotes E você não quis. Hoje não há brisa na Palestina Apenas nuvens de poeira misturada ao sangue de inocentes.
Poema: Odair
Odair José
http://meutestemunhovivo.blogspot.com
|
|