
Divagando sobre o Tejo
Data 02/08/2014 08:47:56 | Tópico: Poemas
| Do Jardim daCasa Monsaraz na Rua Vítor Cordon no Chiado.
E a noite vai caindo devagar, paira calma uma Paz religiosa, serena, doce, imutável … A Lua desce brandamente, esquálida,receosa, solitária, prateada, branca como a neve… Reflecte o seu penar nas águas puras que vagueiam clandestinas para o mar ... Ao longe, a Ponte corta mágoas! Que o Cristo, em Oração, de braços abertos, avança, caminhando sobre as águas. OTejo está calado, singelo, receptivo, silencioso, adormecido, diáfano, ocultonas margens de Lisboa, como pássaros sem voz qu’inda voam pelos Céus, erráticos, à toa …
Ai, Lisboa …Lisboa … Teu sangue a palpitar na caliça branca do luar, agita as altas franças, que o Tejo canta, docemente, sem nunca repousar … Sua Musa, doce e branca, que procura ao Luar, também quer Amar, Amar, dizFlorbela Espanca … Ó Lisboa,canta … Canta Poetisa! Canta!...
Que há pouco a tarde fria, por entre os Astros, no Céu, descia, envolvendo de tristeza, comseu Fado de solidão, a graça e a pureza, que o Tejo em si alteia, sem esperanças de perdão… Ó Tejo, que mistérios são os teus debaixo deste Céu?! Quis Deus que tua Voz fosseSilêncio, brancura, solidão… Perdão Lisboa! Perdão! Que o Tejo solitário, dolente, imaginário, jamais revela o Coração… Ó Lisboa, triste o teu condão, perdão Lisboa! Perdão! …
Ricardo Louro no Chiado
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