
Ninguém sabe morrer
Data 19/07/2014 10:13:59 | Tópico: Poemas
| Os velhos e velhinhas a gente sem abrigo que pede pelas alminhas vive como castigo e
dos colos carregados das lantejoulas dos cenhos carregados das angústias dos peões da soberba pachorra de esperar remédio da virtude paciência e
há sempre muito ruído muito brilho muita cor ladrões à paisana e polícias nas esquinas prostituição a disputar a sensualidade que há em tudo e
a despesa de viver o pecado fechar os olhos para ignorar a bomba que vai explodir e
tanto filho da mãe que anda a fugir sem descanso que não suporta a luz nem a própria sombra tanta faca escondida e
deve haver além de mulheres algures ilícitas de tão carnais amores imperfeitos de tão legais e
o livro da história que não cessa nem há tempo para ler até numa biblioteca ninguém sabe morrer.
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