
Tabloide de Mim
Data 03/07/2014 15:19:20 | Tópico: Poemas
| Parece-me que o espermatozoide Que fecundou o óvulo que me fez criatura Era meio agitado, meio zonzo... Simplesmente assassinou os congêneres E ficou só a germinar um embrião...
Havia em si caracteres alucinatórios, Pois, derivou um DNA rebelde, Às vezes cismático, meio revolucionário... De vez em quando altruísta e sapiente, Mas vez por outra plenamente solitário...
Guardou em mim acervo de raízes várias, Porque do grotesco ao sublime, Da razão primitiva ao tom lunático Há diodos que nutrem transformações E a lucidez baila sobre fontes mentecaptas...
É uma enxurrada de pensamentos febris E um holocausto em que paixão é brasa, Experiências de extremos paradoxais Ora profundamente maltrapilhos, Ora circunstancialmente envoltos em enxovais Em que a personalidade é mistério...
Vejo o mundo num tabuleiro de perfídia Ou numa redoma que protege o que é fino... Vejo-me ladeado por extremos cabíveis e incabíveis E o que foi em mim implantado já é peça de museu Visto que ora sorrio, ora choro... este, sim, sou eu!
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