
AOS GOLES
Data 03/07/2014 09:47:57 | Tópico: Textos
|  Talvez seja fácil reconstituir... Foi naquele setembro. Lembro-me como se pudesse toca-lo hoje, sentindo a pressão dos meus dedos encalçando bem o risco do final da página; a assinatura da restituição, um testamento à posse de mim. Olhando aqui de cima fica fácil distinguir qual o lado que esfolou. Como canteiros recém arados - lado a lado - revolvidos e semeados, escavados com os dedos que ainda conservam os restolhos sob as unhas – dor e mágoa, amor e felicidade – como se fossem tudo a mesma coisa. Não sei se deu para ver o instante em que foi regado pelas torrentes dos olhos, talvez tenha sido um bom disfarce, encobertos pelo véu da indiferença. Mas decerto, esse sombreado mais encarnado denuncia a cova mais aprofundada. Conforme havia imaginado no dia em que pedi: “mata-me aos goles” – aqui jaz uma lápide simples: “Foi-lhe restituído o direito de sorver-se inteira!”
(07/10/2012)
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