
(Como quem sonha...)
Data 02/07/2014 18:24:13 | Tópico: Poemas
| Virei-me, na cama - e um qualquer movimento, alheio ao meu corpo, alertou-me os sentidos, ainda acusando um torpor ledo e morno: um movimento brando, um resvalar macio sobre os lencóis ainda quentes, um deslizar displicente, como as águas de um rio.
Tacteei pela cama, a minha mão indulgente velejando a esperança de encontrar quem me chama, quem me quer, quem me alcança, quem, ao amanhecer, reage, suavemente, à invasão preguiçosa do seu espaço de ser intrusão caprichosa...
“Quem torneia o meu corpo, me delineia as formas, sobre a colcha de lã? que sedoso escopo me desperta dos sonhos, me reúne à manhã que eu achava perdida, me desfaz a impressão de estar só, nesta cama, de estar só, neste dia, de estar só, nesta vida...?”
...E o sorriso nascendo regressa á garganta, o meu sono, morrendo, dá um final suspiro: ninguém, sobre a cama, ninguém, em carícia ou em presença física resgatando os meus olhos, ninguém, e eu admito o poder dos meus sonhos, a traição do meu instinto:
- só o meu telemóvel, esquecido no leito, deslizara, ao meu gesto... e o resto... é só essa dor dócil esperando no peito, dormindo comigo, acordando comigo, demarcando a presença, preenchendo um vazio gravado em indiferença.
...
Gravado em mensagem o teu nome - desejo, dizia, calando: “meu amor, bom dia”...
...e o meu olhar de sal fez-se ouro molhando os meus lábios em beijo... - matinal alquimia!
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