
Fim Da Noite Fria (Poema Sem Rimas)
Data 24/06/2014 22:41:31 | Tópico: Poemas
| Já é tarde. Repousa em águas macias O astro-rei. Sobe a lua debutante Em primícias nupciais. Um cortejo de estrelas Cintilam no céu celestial. Aves dormitam nos galhos. Os seres noturnos despertados estão. Aqui e acolá um ulular de pássaros O calor eclode alguns ovinhos Onde pululam nocivos e notívagos insetos. Atrás de uma moita um casal De mamíferos copula ferozmente. Sementes caem nas águas do riacho Alguns peixes roçam a superfície Na espera do alimento nutritivo.
Mais ao fundo da floresta:
O vento zombeteiro passa entre eucaliptos E uma canção sinistra toca por toda a madrugada. O silêncio da noite é quebrado pela fala dos grilos, Pelo coxear de sapos que buscam namoradas Nas margens iluminadas pelos pirilampos. A mudez das coisas se rompe com o quebrar De pequenos gravetos causado pelas patas De uma jaguatirica que busca o que comer Para suas crias recém-nascidas. Ali uma serpente desliza entra a folhagem ferrugem. Uma nuvem cobre a lua que reina no centro do céu. Lá longe uma rola arrulha uma canção de amor. Mais longe uma cachoeira abala toda a várzea.
A noite escura com todos os seus encantos.
Na madrugada fria uma brisa quase sorri Quando beija as pedras porosas das montanhas. Lentamente vão se apagando as estrelas uma a uma. No nascente alguns tons rubros teimam em aparecer. A Aurora com seus dedos rosas descortina o novo dia Que sempre há de nascer.
Poema sem rimas: Fim da noite fria.
|
|