
SABEDORIA
Data 21/01/2008 08:26:24 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| SABEDORIA António Castel-Branco Gastamos o intervalo de tempo a que vida chamamos em busca do sentido, procurando nos hiatos do universo as nossas razões. Do sussurro do regato ao estrondo da cascata, do sorriso de um dia de sol às lágrimas copiosas da tristeza mesclada de cinza de um dia molhado. Do afago carinhoso da brisa estival à fúria ciclónica da monção, da vela enfunada que deu novos mundos à farinha moída que nos dá o pão. Da chama que brilha zombando das trevas que a mente invade, às áreas ardidas pela ambição. Do cheiro molhado da terra revolta pelos pés descalços que saboreiam a doce frescura que nos alimenta, às dunas de sonhos que te protegem das áridas mentes que te rodeiam. Do sentir sentido das emoções que te dominam, às ânsias ardentes da esperança silente que em ti permanece. De que fizemos, por que fizemos, onde fizemos?, e nosso mundo se desvanece em busca do porquê. E agora que o tempo usaste para descobrires, estás mais sábio: sabes a razão de muito! Sábio é aquele que contempla sem perceber... que aproveita sem entender... que goza nos ténues fios da teia da vida sem se deter... que no seu íntimo encontra o equilíbrio das emoções e o partilha... que é um na natureza. E este, quando esta etapa se escoa, não desperdiçou o tempo.
Sintra, 2007
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