
QUE INGRATA RECORDAÇÃO
Data 20/01/2008 05:43:24 | Tópico: Poemas -> Paixão
| QUE INGRATA CONFORMAÇÃO
Vai sufocar-me a tortura De viver sempre ao teu lado! Porquê’ essa formosura Conquistou minha ternura, Fez-me sonhar… acordado!
A tristeza que se encerra Neste pobre coração, Destrói mais que a feia guerra: Meus lindos sonhos desterra Em fúnebre decepção!
Virei ave, sem abrigo, Que anda no mundo, perdida! Resistir mais, não consigo! Por não medir o perigo, Destrocei a minha vida!
Pensei na felicidade, Sem olhar ao dissabor. Que funesta ingenuidade! Era simples amizade A resposta ao meu amor!
Projectei, entre carinhos, Fazer-te mulher ditosa, Em pedregosos caminhos, Rasgando-me nos espinhos, Jamais colherei a rosa!...
Para que fui eu nascer, Se é sem remédio esta dor? Ti podes lá entender A força deste sofrer, O que são penas de amor!...
Essa imagem graciosa, Que já se afasta de mim… Separação dolorosa! Que dor amarga e penosa, Com princípio, mas… sem fim!
Coração amargurado, Resta-te a resignação! Imprudente, aniquilado… Essa falta de cuidado Foi a tua perdição!
Que fraqueza! Que ilusões Se apoderaram de ti! Como aceitas tais acções? Das tuas lamentações, Ela, com outro, só ri…
Conseguirás enfrentar Tal escárnio? Francamente! O quê? Irás perdoar?! Em vez de te revoltar? Que despudor! Estás doente!...
Maleitas do coração, Ninguém as pode curar! Ultrapassam a razão, Trazem tanta decepção… Gostam de martirizar!...
Que ganhas em ser tirano, Amor, se sabes tão bem? Dás a cada ser humano Ventura, paz, desengano… Ris a todos e a ninguém…
Aproxima-se a partida; Já lá vem o sofrimento! Vais deixar-me, sem guarida, Dar a outro a tua vida, Para meu maior tormento!
Perder o que há de melhor, Neste vale de amargura… Mas, vem, sol consolador; Vem beijar aquela flor Que foi minha desventura!
Traz-lhe tanta regalia, Que ela canse de sorrir. O vê-la feliz, seria Transformar em alegria A dor, para resistir…
Já nem passam na garganta Os meus soluços, querida! Sufoquei! A dor é tanta, Que morro, e ninguém se espanta, De saudades, à partida!...
Mas resisto! Quem diria! Um barco nos apartou! Sem a tua companhia, Calvário é meu dia a dia; O martírio começou!...
Dolorosa comoção Que me faz falar assim! Que ingrata conformação! Resta-me a conformação De te ver feliz… sem mim!...
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