
soneto da exortação ao anjo
Data 11/06/2014 02:46:50 | Tópico: Poemas
| “ Então minha alma, de remorso entrada, “Dize” — replico — à sombra, a quem falava, Que o filho inda entre os vivos tem morada. Se presto lhe não disse o que exorava, Da dúvida, que, há pouco, heis-me explicado Pela influência dominado eu stava”. — A Divina Comédia - Inferno - canto x
Anjo da morte, manifesto inequívoco na hora do perigo; pertinaz nas ultimas dores como dádiva da despedida. Venha e me abrace, brinde-me com esses ósculos frios, dá que vislumbre a perspectiva dessa face inescrutável.
Se terrível aspecto, às almas faz tremer, tétrico-feroz, não me alarma o beijo, nem a visão dos olhos que pérvios; enigmáticas fenestras acenando as sendas d’um decesso, permitem àqueles recônditos do exício no átimo alcançar.
Anjo da morte, aparição que a todos o corpo faz tremer, venha a mim, atendo-o trazendo exortação do apocalipse. Não me fará estremecer nunca a realidade da revelação, plácido é que o recebo, como a uma visitação tão cobiçada.
Conforto-me, sempre arrazoei os mistérios, sem alvitres, nessa chegada saberá mitigar-me n’alma paixões irosas.
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