
violinos de chuva
Data 07/06/2014 22:36:43 | Tópico: Poemas
| perfumou-se a noite de lavanda, p'ra fazer cair por terra os mistérios. tons de lilás e prata se acomodaram pelos cantos, quando a lua fez descer dos ombros, finas alças de organza.
não se sabe por que, como se fossem cortinas, diamantes começaram a cair, quando o céu reuniu nuvens para recitais de violinos
naquele noturno, tudo queria se despir.
ergueu-se e fez que receios e dúvidas descessem pela garganta - pediu ajuda à taça de vinho.
afagou o cansaço das viagens e retirou, lentamente, todas as curvas fechadas que desenhou na estrada.
quase com fúria, arrancou e quebrou as placas com tintas descascadas; nunca revelaram as verdadeiras direções.
deslizou as mãos pelos precipícios que serpenteavam as margens e os fez cair, sem pudor, expondo as reais profundidades.
desfez os laços das aventuras e deixou-as cair, também, uma a uma; algumas tinham cores de troféus, outras tinham rasgos de espinhos.
poxa, também queria se despir das flores, pássaros e borboletas; pequenas e doces imagens que, tão pacientes, enfeitaram a estrada. fez isso com muito cuidado, pois haviam sido presentes.
ainda haviam os rios por onde a estrada mergulhou; estes foram rasgados, pois exigia pressa, aquele momento.
- foz e arco-íris se espalharam pelo chão.
o som de um suave e contido sorriso se acomodou no ouvido. também sorriu; aquilo era sinal de boa aceitação.
arrumou com cuidado, diante dos pés, as oferendas de honestidade e, dando um passo a frente com olhar transparente... nua dos confortos e perigos, permitiu que os lábios bailassem um pedido:
- casa comigo?
|
|