Morrer d'amores

Data 19/01/2008 13:52:18 | Tópico: Poemas -> Amor

Morrer d’amores
se antes de mim fenecem adejando pássaros e pétalas de flores,
se o fulgor líquido do lago, que ora me fustiga e me devora,
não mais é em ti do que natatória pálida de gelo enrijecido,
lâmina d’água mutilada por algemas de palavra sem sentido.

Morrer d’amores, amado,
se o desejo de um só beijo estropia a pele da boca
em somas retraídas de salivas biliosas,
e o sonho desenha o céu exangue d’estrelas
em veludo índigo constelado
e a desmando a vontade de te amar excessivamente
se esconde ardente
nas moléculas globulares do mistério do teu sangue.

Morrer d’amores
sem cuidar de atentar de limites ou de saber d’interdito.

Morrer morrendo num amor maior e infinito.




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