
A minha morada é a palavra
Data 31/05/2014 14:11:22 | Tópico: Poemas
| Há um vazio dentro de mim Feito daquilo que ainda não aconteceu E habita neste ventre de gestação o poema
Tem braços de mar É corpo sem terra para atracar É sonho, fantasia Luz forte de cada dia
E são de mármore os silêncios aqui Nesta planície onde crio raízes etéreas Onde construo castelos sem fortaleza Onde me conjugo em cada ânsia Em cada incerteza
De homem tenho tudo Mas sou assexuado no que quer que diga Sou carreiro, sou distância e formiga
E não estou sozinho na solidão de te pensar De te dizer, de te amar Não estou sozinho por estar
A minha morada é a palavra Nela me expando para além do que vejo Do que sinto Nas verdades que digo quando minto
Se a um poeta se perdoa esta sorte Viva então o poema para além da morte
in: «Os poemas não se servem frios» 2011
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