
TEU PESCOÇO de VÍTIMA
Data 18/01/2008 16:01:45 | Tópico: Poemas -> Amor
| Encho de sonhos o navio e domino o mar tirando da cartola cidades e manhãs, e se louco desfio o horizonte e desequilibro os limites as estrelas mergulham no oceano que muito mais do que o céu na garrafa é o meu sonho se alastrando além da bandeira e do verão azul.
Não há razão que permaneça quando o fogo chega, mas o sonho domina a estrada que enche as curvas de salteadores e mesmo dormindo sòzinho ouço a voz do anjo que desce pela noite espalhando estrelas na sede de crianças frente ao barco de papel que revelamos tomados pelo céu.
Não há fuga, estou acorrentado ao destino e apedrejado percebo solidariedade apenas no leproso, no mendigo e no escravo, e sei que o meu sangue alimenta o sol como o escândalo é a tatuagem do vendido, numa espera de sapo vejo que o silêncio é a fumaça do descrente e arranco sangue do teu pescoço de vítima atirando cusparadas ao santo, porque o tempo, meu amor, é de apontar o sol ao urubu como única saída, pois se o deserto é uma canção modulada em gelo e dentes cerrados o caos aguarda o dono dos olhos chispar o motor.
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