
soneto do amor e lágrimas
Data 23/05/2014 09:48:20 | Tópico: Poemas
| “ O meu ânimo assim, que treme ansioso, Volveu-se a remirar vencido o espaço Que homem vivo jamais passou ditoso.
Tendo já repousado o corpo lasso, Segui pela deserta falda avante; Mais baixo sendo o pé firme no passo.”
A Divina Comédia - Inferno - canto I
Em tudo, sempre direi que amo, mesmo na tempestade perseguido, tristezas n’alma, eterno devedor, na marcha deveras transtornado; pode haver a separação, será breve apenas, não restarei condoído, com todo este amor - quem proíbe? Dessa ameaça estarei vedado?
Sabes que sou grato por isso, deixas então que siga a vida avante; estou agora no jardim de tua alma, como oásis minha sede sacia. Quando distante do lagar preparando doce vinho, eu caminhante me torno; num embriagar-me de ti, o vinho desse amor será o guia.
Mas, se por desgraça maior, vierem lágrimas num turno segundo, milagrosamente, em primeira mão, onde tu e eu – um amor dura, permanece depois de encontro reconciliado, transcende o mundo. Julgas que meu coração treme de medo se ser ridículo? Do gozo desse teu amor sempre uma promessa, brilha esperança, ventura, finjas deixar o fogo desta paixão dormindo, regozijo tão ditoso.
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