
pássaros pousados nas torres dos monastérios
Data 17/05/2014 23:12:02 | Tópico: Poemas
| Pensou nos antepassados, mas sonhou com demônios, na escuridão da noite quis beijar a noiva, de repente, atingido por um tiro quando brilhou a noite frente aos dois. Dois pés nos estribos calcados ao som de gargalhadas sonoras, a alma sendo puxada para baixo, ultrapassando as sobrancelhas do papa.
Corajoso, sequer disse mais uma palavra, apenas brandiu na mão o chicote mirando a águia livre voando no céu, surdo ao som de gritos selvagens, para baixo em linha reta uniforme.
Não era dia e nem era hora, não trouxe a mãe, nem a irmã, os pedestres que descansam à sombra do olmo, estarão cobertas com véu de angustias, chorando e implorando sobre o caixão, as mãos crispadas agarrando uma rocha configurada em forma de cruz nos meandros das estradas das memórias.
Há de haver pelo menos uma primavera para acariciar a relva esmeralda, desviando o caminho da neve do inverno; o cavalo realiza a tarefa bem mais rápido soprando vapor pelas narinas largas, como os caminhos doem nos campos de batalha.
A batalha não cessou nas profundezas, inimigos não se acovardaram, nem aos gemidos dos moribundos envoltos em mortalhas de pura seda. Tudo ficou mais calmo quando a multidão de cadáveres foi amontoada no rastro dos jatos e seus pilotos, camelos surdos saqueando a caravana ouvindo no silêncio os sinos de natal.
Sob as tumbas os corvos desenharam círculos, pássaros não esperaram para pousar nas torres do monastério tranquilo onde repousavam as cinzas dos ancestrais.
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