
A cada Jovem que morre ...
Data 08/05/2014 12:07:10 | Tópico: Poemas
| Jaz morto e inerte num campo de solidão ... Tão novo! Rodeado de lirios, doces e brancos como Ele ... Ele, um suspiro, esperança-fria que o Tempo alteia, louco e apodrecido.
E grita o vento, destemido:
"-É morto! É morto! Triste, só e absorto... É morto! É morto!"
Seu corpo, agridoce-veneno, jaz sepulto, em repouso, num campo d'açucenas, rodeado de pombas, coroado de penas ...
"-É morto! É morto! Triste, só e absorto... É morto! É morto!"
Um jovem, tão novo, Poeta, ignoto ... Tão jovem, tão morto, tão morto e tão jovem, seu corpo, ignoto ... É morto! É morto!
"-É morto! É morto! Triste, só e absorto... É morto! É morto!"
Sua Mãe, amarga e singela, ferida, desgrenhada, assentida ... É perdida, além-da-Vida, tão pobre e tão sofrida. É vencida! É vencida! É Só! Tão Só! Tão contida ...
"-É morto! É morto! Triste, só e absorto... É morto! É morto!"
E em tudo, a cova que o recebe, sua dor ignora - ó Deus, que triste sina, desce à Terra! A separação! É hora! ...
"-É morto! É morto! Triste, só e absorto... É morto! É morto!"
Ricardo Louro No Chiado
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