
Deixem correr o poema...
Data 07/05/2014 09:53:29 | Tópico: Poemas
| O poema pode ser doce brilhante, insidioso ou asqueroso. Deve ser arrogante.
De uma presunção maliciosa ferir o olhar alterar o coração apaziguar e odiar. Deve ser interrogação.
O poema deve ser fronteira que se escancara par a par nunca por nunca ser, barreira. Entrave ao despertar.
O poema um rio inquieto a trespassar o mundo nas mãos a paz, sorte, mentira ou verdade. Uma mulher nua um homem em êxtase uma criança que corre. Um cão, vadio e amigo.
O poema é sangue nas veias o voo de condor é mente que esperneia com amor ou com rancor.
De que servem letras belas se o recheio for oco soltem versos nas vielas, deixem correr as rimas. Por entre ratos, vadios e prostitutas, por entre Igrejas e santos. E mentes loucas. Por entre gente comum.
Deixem correr o poema é de todos e nenhum silaba a silaba, fonema escavado num trinta e um.
O resto, o resto até faz pena.
Poesia de Antónia Ruivo.
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