
Um Cordel pra Mariquinha
Data 05/05/2014 16:07:15 | Tópico: Poemas
| Um Cordel pra Mariquinha
Vim aqui nesse programa pra dizer uma coisinha, que todo fim de semana, vem pra cá a Mariquinha. Vem fazer ponche gostoso, e quitutes na cozinha.
Já têm mais de quatro anos, que ela faz esta rotina. Pra cuidar desse amigo, ela nunca se amofina, pois quer vê-lo firme e forte: é um doce, essa menina.
Mas antes de eu dar sequência, contar tintim por tintim. Primeiro peço a anuência deste, que, está junto a mim. Pois foi ele quem a trouxe, lá de Quixeramobim.
Já que ele consentiu; então vou continuar. Se você inda não ouviu: por favor, queira escutar: pois da Dona Mariquinha, certamente, há de gostar.
Mariquinha nasceu pobre, porém, rica se tornou. Pois por lá, surgiu um nobre, e com ela se casou. Mas, logo subiu pro céu, e a fortuna ela herdou.
Pouco tempo se passou e um outro apareceu. Por ela se apaixonou; imagine no que deu: a alegria durou pouco, pois esse também morreu.
Foi assim com o terceiro, com o 4º, e com o 5º. Morreram como o primeiro, é verdade, eu não minto. Olha ali, a Mariquinha! a mais rica do recinto.
Ela é maravilhosa, e muito bela, por sinal. Além do mais, é caridosa, como nunca vi igual. Trata bem a todo mundo, de uma forma fraternal.
De vez em quando ela sai da cozinha, onde fica e vem ver os convidados; no estúdio ela embica. Com alguns ela conversa e, até se identifica.
Se está gostando dela, mas não só pra passar chuva, vá, ali, fale com ela, pois lhe afirmo que é viúva; porém, chegue com cautela, se não ela tira a luva.
E, então, caro colega: vai ser um Deus nos acuda, se acaso ela lhe pega; você vai pedir ajuda, ela quando embravece, não escuta e fica muda.
Por isso, vá, com jeitinho e convide-a pra dançar. Ela gosta de carinho, e por certo vai aceitar. como disse: vá com calma, pra ela não se apoquentar.
Certa data, Gonzagão, que já muita fama tinha. Forrozava num salão, uma moda mazurquinha; ao vê-la disse sorrindo: "Dança, dança Mariquinha".
Ela então saiu dançando e o povo todo parou. Ficaram todos olhando: "E o forró continuou". Gonzagão puxava o fole, e a poeira levantou.
Foi assim a noite inteira, até o raiar doutro dia. A Mariquinha dançava, a multidão aplaudia: Gonzagão não disfarçava: todo contente sorria.
Mas, agora, vou dizer: deste momento presente: pegue ali um tamborete, chegue pra cá e se sente. Eu vou continuar contando pra você e muita gente.
A verdade seja dita, eu não posso me omitir. Mariquinha é bem bonita, não tem como eu mentir, mas já enterrou 5 maridos, que de lá não vão sair.
Outra coisa eu lhe digo: porque isso me compete, você é meu grand\'amigo; não teremos tête-a-tête: filhos ela teve vários, se contarmos são 27.
Mas, nisso não há problema, todos têm gorda poupança; Mariquinha usou o esquema, e dividiu a herança, deixada pelos maridos, que não eram de gastança.
Agora que o prezado, ouviu bem o meu aviso. Seja terno e delicado, sem mostrar-se indeciso; mas não chegue muito perto, vá que ela perca o juízo,
E, lhe joque a frigideira, bem no meio da cabeça; afundando sua moleira e um galo nela cresça, e lhe diga bem raivosa: vá embora e me esqueça.
Foi assim que outro dia, cena igual aconteceu, com um cabra que eu não via, que aqui compareceu. Foi bulir com Mariquinha: e então, o pau comeu.
O sujeito saiu correndo, nem sequer se despediu. Até hoje \'stá tremendo, disso eu sei porque alguém viu e contou-me em detalhes que o tal, não mais dormiu.
Se você está disposto, a casar com Mariquinha. Isso prova seu bom gosto, pois parece uma rainha, e não pode uma viúva ficar assim tão sozinha.
Se ela aceitar seu pedido, marque logo o casamento. Será o sexto marido, a viver belo momento. Vá buscar o santo padre, pra fazer o sacramento.
Eu espero que o amigo, me convide pra padrinho. Pois afinal, foi comigo, que ela veio no trenzinho: porém, com todo respeito, cada qual, no seu banquinho.
Por isso que, a Mariquinha gosta por demais de mim. Pois sentia-se tão sozinha, naquele sertão sem fim. Morando lá na fazenda: Lá, em Quixeramobim.
Qualquer dia, com certeza, aqui mesmo quero estar, e, com a mesma franqueza, outro caso vou contar, mas porém, eu só virei, se o comandante chamar.
Findou o caso amigo, contei tudinho. Agora, se quiser venha comigo, "quer ir mais eu, vão \'bora", o vate Roberto Jun, vai voltar em outra hora.
Aqui vou me despedindo, vou deixando o meu adeus. Já saudade estou sentindo de quem são amigos meus. Até breve companheiros! fiquem vós também com Deus!...
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