
Diga-me lua se não sofre ?
Data 04/05/2014 01:42:06 | Tópico: Poemas
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Perambulando por veredas melancólicas, não consigo descansar, não tenho paz: o espírito definha. Minha cabeça está girando, mesmo depois de percorrer meandros insondáveis da noite, ninguém aguarda o meu retorno.
Então uivo um apelo veemente, lamento triste e profundo: quero desafiar a sensibilidade da lua diante desse sentido sofrer.
Recordando-me com alguma amargura pergunto sem obter resposta: “- onde está a voz, nunca vacilante, onde está a boca que tanto adorei, observando na sua alcova entre os lençóis em desalinho, mal cobrindo seu corpo sensual enquanto brilhava aqui fora, invadindo a janela na noite escura o luar? “
“ - Onde estão os olhos, as mãos, os ombros nus provocantes, quando na cadeira jogado era o vestido, depois de uma noite de beijos, depois de uma noite cheia de carícias? “
Os olhos ainda estavam sorrindo embora ainda não sabiam, ser aquela noite a última para nós.
Hoje, sou aquele que vive da noite, noite fechada, escuridão completa, apenas guiado pelas réstias do luar . Abatido e permeado de desespero impotente diante desse desamor, resta agora em longo plangido fazer apelo cáusticos à lua bela, despertando nela um pouco de piedade convidando-a então a refletir.
E num suspiro, olho a lua num longo uivo melancólico e sentido perguntado, desesperado e dolorido: “Diga-me, lua, se não sofre, quando ouve distante o uivo de um lobo, saudando lascivo seu círculo brilhante?”
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