
[Certos olhos...]
Data 28/04/2014 23:13:14 | Tópico: Poemas
| Sim, certos olhos me guardam silenciosamente dos erros armados pelos meus passos. São os olhos misteriosos que varam as capas dos livros que li e ruminei —
curam-me a ânsia de opinar os olhos sábios do Grande Sertão: Veredas; ataca a minha arrogância o olhar que vem das Meditações de Marcus Aurelius, de Epicuro, de Platão; vigia-me as vontades pérfidas a egípcia sabedoria dos Provérbios, do Eclesiastes; avisam-me do caráter real dos homens O Príncipe, de Maquiavel e o Leviathan, de Thomas Hobbes; cura-me da falsa desculpa do inconsciente e coloca-me diante de mim mesmo como responsável por criar sentidos, O Ser e o Nada, de Sartre...
... E não posso cortar esta lista sem mencionar a pedra, sim, No meio do Caminho, tinha uma pedra, tinha, tem, e terá sempre uma pedra de tropeço, Mas o finado João Rosa lembra-me que tropeçar também ajuda a caminhar; e Sartre me mostra que, se for uma pedra muito grande, eu posso subir lá no topo dela, e descobrir oportunidades novas!
Ah... depois, se me der vontade, corrijo as injustiças que cometi contra outros olhos que me olham desde a prateleira dos meus livros... _____________________________ [Ilhabela, 21 de abril de 2014]
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