
LEMBRANÇAS
Data 27/04/2014 13:00:08 | Tópico: Contos
| A tarde já caminhava para a noite quando subi para fechar as janelas do quarto das crianças. Então, lembrei-me de você. Depois, fui fechar as janelas do quarto de hospedes e novamente você veio a minha lembrança. Desci, Segui em direção à cozinha, porém, ao ver a escada que leva a nossa suíte, outra vez me lembrei de você. Fui subindo degrau por degrau até que entrei em nosso dormitório, ao ver a cama vazia, os pensamentos que dormiam dentro de mim acordaram. Sentei-me à beira da cama e deixei que os meus olhos percorressem , todo aquele ambiente e lentamente fui fazendo uma viagem ao redor de tudo. Lá estava o toucador modelo Luiz XV, e sobre ele o porta retratos com a nossa fotografia. Aquela que nós tiramos lá no parque do Ibirapuera naquela manhã do mês de abril. Aliás, nem fomos nós que a tiramos, na verdade, nós pedimos para alguém que passava por ali naquele instante que a tirasse para nós, pois queríamos que saíssemos abraçadinhos e sorrindo de felicidade por estarmos juntos. "Ah, que dia inesquecível foi aquele!” A esquerda do porta retratos, estava o porta jóias dourado em formato de baú, o que compramos numa feira de artesanatos quando estivemos a passeio em Salvador. Peguei o porta jóias, acariciei-o em minhas mãos e delicadamente ergui a tampa que o fechava.e constatei que haviam brincos, colares, pulseiras e anéis. Mais ao fundo, sob umas pétalas de rosas já ressequidas pelo tempo, havia um pequeno envelope verde e dentro dele, o primeiro poema de amor que compus para você. Ali estava ele, bem guardado como se também fosse uma joia preciosa. E para você, certamente, aquele não era apenas um poema de amor. E, sim, uma joia de inestimável valor. Do lado oposto, estava a caixa de música, a qual eu havia lhe presenteado no seu aniversário. Eis que, ao abri-la, num passe de mágica a bailarina se pôs a dançar, quando eu ouvi o som que vinha da caixa, pareceu-me que as antigas cenas se repetiram e eram tão reais. Cheguei a sentir o calor de sua mão entrelaçada a minha e também o sabor de seu beijo doce. Ah, quantas vezes nos beijamos, foram tantas..., tantas... Mas,meus devaneios duraram tão pouco, apenas alguns segundos, porque logo voltei a realidade. Eu estava ali, em nosso ninho completamente só, todavia, os meus olhos continuavam a percorrer e a buscar por você. Entretanto, era em vão, pois você não se encontrava em parte alguma daquele espaço e mesmo assim meus olhos persistiam em procurar por você ainda que sabendo que era inútil. Foi aí que eu não consegui mais me conter e comecei a chorar. Ah, e como eu chorei!
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