
Filho da Alma (Jose Martí)
Data 22/04/2014 20:24:31 | Tópico: Poemas -> Intervenção
|  Poema traduzido:
Tu flutuas no espaço, filho da alma! As ondas da revolta noite batem em meu peito nu, apesar do alvorecer. E as águas da noite revolta te lançam à espuma do dia, turva e amarga.
Guardiãozinho magnífico, guardas a porta aberta de meu fundo espírito amante; E, se te escondes nas sombras, minhas várias dores procuram-me avaras e invejosas de minha calma. No umbral escuro te levantas feroz e tuas asas brancas lhe impedem os passos!
A manhã traz ondas de luz e de flores E tu cavalgas nas ondas luminosas. Não, não é a luz do dia quem me chama mas, sim, tuas mãozinhas em meu travesseiro. Me falam que estás longe: loucuras me falam! Eles têm tua sombra, E eu tenho tua alma!
Essas são coisas novas e estranhas para mim. Eu sei que teus dois olhos relampejam lá nas distantes terras, E nas douradas ondas de ar que batem na minha testa pálida. Pudesse colher, com minha mão, como numa colheita de estrelas, teus olhares: tu flutuas no espaço, filho da alma!
 Poema original em espanhol:
Hijo del alma
Tú flotas sobre todo, Hijo del alma! De la revuelta noche Las oleadas, En mi seno desnudo Déjante el alba; Y del día la espuma Turbia y amarga, De la noche revueltas Te echan las aguas. Guardancillo magnánimo, La no cerrada Puerta de mi hondo espíritu Amante guardas; ¡Y si en la sombra ocultas Búscanme avaras, De mi calma celosas, Mis penas varias, En el umbral oscuro Fiero te alzas, Y les cierran el paso Tus alas blancas! Ondas de luz y flores Trae la mañana, Y tú en las luminosas Ondas cabalgas. No es, no, la luz del día La que me llama, Sino tus manecitas En mi almohada. Me hablan de que estás lejos: ¡Locuras me hablan! Ellos tienen tu sombra; ¡Yo tengo tu alma! Ésas son cosas nuevas, Mías y extrañas. Yo sé que tus dos ojos Allá en lejanas Tierras relampaguean,? Y en las doradas Olas de aire que baten Mi frente pálida, Pudiera con mi mano, Cual si haz segara De estrellas, segar haces De tus miradas! ¡Tú flotas sobre todo, Hijo del alma!
JOSÉ MARTÍ (1853–1895) — Patriota cubano, pan-americanista. Como poeta, foi precursor do Modernismo, com grande influência nas letras hispano-americanas. Entendia a literatura como “expresión y forma de la vida de un pueblo”, defendendo uma poesia com “raíz en la tierra, y base de hecho real”.
Poema traduzido por Jefferson O. S. Santos e Luzimar G. Gouvea.
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