
OMBRO AMIGO
Data 15/01/2008 00:21:12 | Tópico: Poemas -> Esperança
| OMBRO AMIGO
Aceita a minha solidariedade, Que ouso manifestar-te, finalmente, Após tão prolongada hesitação! Nestas palavras, sem qualquer vaidade, Tento expressar, com gosto e lealmente O que me despertou compreensão.
Comparo um pouco a minha à tua sorte, Numa luta sem tréguas, dia a dia: És ser humano, às vezes desfaleces! Em pranto desabafas a dor forte! E, se acaso eu te faço companhia, Sofro, sem to dizer, quando padeces!
Não consigo, em silencio, demonstrar Quanto desejo ver uma mudança, Virando o teu inferno em paraíso! Impotente, limito-me a sonhar… Respires optimismo e confiança; Seja realidade o teu sorriso…
Jovem, tiveste o sonho de mulher: Viraste esposa e mãe, bem dedicada; Na vida activa, foste professora. Quantas frustrações tens de vencer! Dentes cerrados, nunca acompanhada! E, apesar dos queixumes, lutadora…
E, quando escuto as tuas confidencias, Envolve-me a mais terna comoção, E ao mesmo tempo, fico revoltado. Sinto em tais narrações tantas carências! Mas podes abrir sempre o coração: Tarde, embora, estarei sempre ao teu lado!
Não quero interferir na tua vida; Mas uma opinião permitirás, A quem amaldiçoa os preconceitos: Enfrenta a sociedade, fronte erguida, Pois doutra forma, não triunfarás! Todos temos virtudes e defeitos!
Não sufoquemos, nunca, os sentimentos, Repelindo qualquer escravidão, Até mesmo que seja conjugal! Quando erramos, nos nossos casamentos, Saibamos, lealmente, dizer “não”, Recuperando, em pranto, o “menos mal”!...
Falo, sem a menor razão de queixa; Mas imagino a dor de quem as tem, Sem forças para arrepiar caminho! Somos donos de nós; nunca se deixa Fugir a independência, o maior bem! Quem não deseja partilhar carinho!?...
Dá-lo, sem receber, é dor atroz, Que depressa subjuga um ser humano E, sem remédio, o lança num abismo! Desalentado, perde a própria voz, Vendo em tudo o que o cerca, desengano, Vítima ingénua do maior egoísmo!
Foi assim que te achei, querida amiga: Lançada em tão confuso labirinto, Desconfiada, estás na defensiva. Sincero, embora, nem sei que te diga! Gostava adivinhasses o que sinto: Não vivas, minha flor, sempre à deriva!...
Quem vai acreditar num pessimista, Que aqui te deixa a nu o coração, Cujo prazer, falar-te com franqueza. Não me leves a mal, que tanto insista: Vamos pensar que as coisas mudarão, E não viverás mais tão indefesa!
Possas contar ainda muitos anos, Numa doce atmosfera de alegria, Que os teus amigos querem partilhar! Ultrapassados tantos desenganos, Vamos rir e folgar, dia após dia, Porque eu adoro ver-te gargalhar…
Nossas velhices sejam juventude, Tentando minorar a solidão, Pois esta é osso, duro de roer! E dos que andam por cá, quem não se ilude? É mais fácil a vida, dando a mão: Antecipa o conforto, no morrer…
É passo que ninguém evitará; Nascemos todos com a mesma sina, Eis o mais certo, em hora tão incerta! Tal pensamento aqui não caberá. Sorri à vida, pois, minha menina, Para não ser inútil esta oferta…
Desculpa ser tão longo; é meu defeito. Quis enviar-te um pouco de afeição; Nunca o soube fazer pessoalmente! Desnudei-me de todo o preconceito; Sem reservas, abri-te o coração: Soubeste o que eu sentia, estás contente?!...
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