
Soneto do Amor Sem Métrica Número 02
Data 13/04/2014 19:52:30 | Tópico: Sonetos
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Soneto do Amor Sem Métrica Número 02
by Betha Mendonça
Digo-te meu, ainda que saiba que não me és... Como o crepitar da lareira que sonho e não tenho, Ou um sopro tépido do vento que me vem através, Da Baía de águas revoltas a fazer-te o desenho.
Tu bem sabes o quanto em juízos me contenho, Para não atirar-me sem tempo de fuga no convés, Dessa nau em que as cordas são laços do empenho, Com o qual me segues, puxas e prendes aos teus pés.
Devias libertar-nos desse conto de reinar tão ferrenho! Encerravas todo ar, mar, sol e areia da praia; ao invés, De seduzir com músicas, danças e versos esse engenho.
Já me perdi no tempo, no tanto do querer que tenho, Em pecados, remissões, delicadezas e desejos cruéis, E temo o Inferno que dá à utopia o alimento em anéis.
Talvez haja o número 03 ou não...
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