
Deixa-me
Data 14/01/2008 18:39:54 | Tópico: Prosas Poéticas
| Deixa-me assim na quietude destes versos dizer-te que amo-te, Amo-te, incansavelmente como quem nada mais tem a amar, Que de teus olhos se derramem por entre minha face, Despertando no crepuscular do almejo, O sonho de beijar-te os lábios, Como quem descansa ao desconsolo vivido, E logo aguarda a voz, amena que há-de o acordar. Deixa-me envolver-te por entre estes versos, singelos, Amantes... Para que tenha minh’alma o bálsamo Há desregrada vida que me fora somente chaga. Quem sabe assim, dizer-te que quero, quero, quero... Como jamais ao querer, quis antes. Deixa-me amar-te além do amor, E assim enlaçar-me por entre teus dedos, Apregoar-me por toda a extensão de tua face, E morrer, morrer no descanso de tua falta. Deixa-me amor assi, recostado, desventuroso, Como porto que cá espera o barco, Como veleiro que após longas noites, atracado, Amanhece assomo mediante o ventar da esperança. Deixa-me, permita-me o poema, para que seja eu farto, Poder recostar d’onde posso amar-te, posso ver-te, Posso contemplar-te assim, como tu és... Dar-te o beijo doce e eterno da saudade... Pois em cada letra lhe faço, junto-te, para que me tenhas Para que em poema tu estejas, só assim posso amar-te. Pois me deixaste, agora peço-te encarecidamente: Deixa-me.
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