
Os filhos do Corno de África
Data 12/04/2014 12:50:00 | Tópico: Poemas
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A terra é a minha cama e o corpo humilhado da minha mãe, a cabeceira. Á noite os bichos escoram-me do frio e comem outros bichos que nutrem a minha carne podre. não sei o que é um sorriso, nunca conheci outra vida se não esta.
Somos tantos deitados na mesma cama. Já não me levanto, a astenia das minhas pernas já não seguram o meu corpo. Às vezes a minha mãe mete-me um punhado de farinha na boca para que a fome não me coma.
Não sei se sou criança ou menino, aqui somos todos iguais não existem idades nem rostos, as dores vão deformando as formas do meu corpo e o medo assombra-me a sombra que se cala por baixo de mim.
Se pensam que nos matam, enganam-se… …Mutilam-nos
Os ossos desfazem-se lentamente os dentes cravam a terra, tentam libar água das noites húmidas.
Todos os dias adormecem milhares na boca do inferno
Por mais que os poetas destilem, os cantores clamem, os pintores nos esbocem, jamais alguém conseguirá abrir as portas da galeria horrenda e expor o massacre da morte que nos engole em jejum.
Conceição Bernardino Poema - Editado e registado
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