
Tudo só acontece longe do mar
Data 08/04/2014 16:15:30 | Tópico: Poemas -> Reflexão
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Perdeu hora, chegou tarde, só apareceu, bem depois que o dia escureceu, quando recrutas sorridentes acatavam denúncias nas latrinas das casernas. A siderúrgica estava desligada metalúrgicos bloqueavam o forno enquanto o zelador bebia cachaça guardando estrelas na noite vazia.
No quartel, último clarim soou, chamando pessoas para missa, ressaltando a importância dos serviços portuários para um País de condenados; propiciando facilidades às pessoas que decidam deixar os lares. Quebra gelo armazena ondas capturadas, presas na escura de alça de latão, seguras por fechos e correntes atendendo chamados insistentes.
Não restou nenhum lugar no viaduto para transeuntes na escuridão, paredes de tijolos à vista absorvem o silêncio ecoando pelos elementos vazados assentados na frente da parede. Chuva fina e fria abatia sobre o corpo desnudo das águas vivas cantando altissonantes em coro atrás da cerca de madeira, carneiros encharcados assobiavam percorrendo os quatro cantos do mundo graduando-se em ciências ocultas podendo todos eles ver através da janela, através das placas de acrílico ou mesmo de uma parede de tijolos.
Com o vento, folhas balançaram, o castelo começou a tremer, na borda da folha queimava a vela; o limite da luz tende à escuridão quando a matriz é quadrada, pois logo começou a chover. Correria para bares e toldos, trazendo ondas de visível melancolia, balançando a ordem dos elementos, alternando água, fogo, terra e ar, na parte inferior dos bordos das pétalas quando tudo acontece na praia deserta, longe, muito longe do mar aberto.
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