
Na carestia a geada embaça vidraças em Amsterdã
Data 20/03/2014 00:09:25 | Tópico: Poemas
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Tudo aconteceu há muito tempo, fazendo-nos rir de tudo, com exceção da solidão nos derradeiros acordes da melodia; arrisquei gaguejar pergunta idiota, sobre o destino dos sonhos havidos num filme de Chaplin, muitas vezes mentalmente repetido.
Sabia que era preciso manter inseparáveis, coragem, morte, glória e êxtase, como trilha sonora de filme mudo. Você sempre diz que depois do ocaso, ao voltar para casa tudo que hesita vai fazer sentido como no futuro; reencontro marcado no passado remoto através de bilhetes em papeis azuis.
Sempre há que se considerar na carestia, a geada nas vidraças embaçando o vitral da cabine da prostituta de Amsterdã livre, sem saber o nome daquela rua onde ficavam os bordeis em Bancoc.
Altaneiros muros de pedra assentados em creme de leite aveludado poderiam cair do teto de cristal sobre a poeira lavável do mostrador, lustrando a planta ao lado do gramofone nos nossos melhores sonhos e momentos .
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