
Alembradura
Data 26/02/2014 01:15:37 | Tópico: Poemas
| Horas convulsas da minha aldeia! Noites sem Lua, dias sem Sol, campos de flores, trigo e aveia, tantas sementes que o espaço alteia ...
E um monte de estevas, ergue ao longe, na umbra, uma Terra audaz!
"- Ó menino, tu não te atrevas ir sozinho a Monsaraz!"
Dizia meu Avô! Dizia minha Avó!
Montes e vales, rochas traiçoeiras, hortas e vinhedos, cercas perturbantes, bichos e cobras, por aí, nas eiras, onde eu andava dantes ...
No Outeiro! Na minha Aldeia!
Criança sem rumo, pelo orvalho, diziam meus Avós, atormentados:
"- o menino não levou agasalho! ..."
E quando regressava dessas voltas, sempre, de meus Avós, preocupados, escutava um ralho!
E hoje, mais só, que dura saudade! Desse Tempo ... Desse Espaço ... De meu Avô ... De minha Avó ...
Saudade que perdura, nessa Casa da Infância, nesta fria-alembradura ...
Ricardo Louro Chiado/Lisboa
|
|