
Solidão
Data 17/02/2014 21:09:23 | Tópico: Poemas
| Não há cadeira cativa em torno de mim, Só meu próprio vulto e minha sombra... Ah, isso quando os consigo perceber! Há um vazio sem forma, Um vácuo impreenchível Um deserto incolor... Sei que sou essência, Pois, toco-me, apalpo-me, penso... Sinto-me gritar em meu íntimo Às vezes choro um choro sem olfato, Mas as lágrimas teimam em ficar oclusas, Distantes dos meus olhos, Apenas queimando minhas pálpebras E inundando meu âmago de melancolia... Minhas palavras se perdem Num espaço sem teto E a natureza absorve meu éter... Meu raciocínio é um torvelinho Insensível, por vezes dócil, Contudo infinitamente inofensivo... As paredes não me escutam E o eco de minha voz é imperceptível... O travesseiro não dialoga comigo, O mundo de mim vive afastado, longe, E não há comunicação entre nós... Caminho alhures pelas estradas À cata de um pássaro Que, com sua melodia, possa Finalmente sentir que estou vivo, Todavia nem isso tenho... Estou ilhado, as águas são turvas E talvez já não consiga nadar... Nadar? Até onde? Para quê? Há uma ausência de tudo Em derredor de mim... O amor perambula distante, Saudade não sei o que é... O que é mesmo saudade? Adiante esbravejar? Correr? Não! Alimento-me do meu Próprio instinto e estou magro, Com uma sede sem nome, No entanto louco para que me toquem, Para que me vejam, para que me sintam, Afinal meu coração pulsa E precisa desvendar o sinal A fim de que não enlouqueça Dentro deste labirinto em que me encontro E que se chama solidão!
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