
Dir-me-às então do poema que um dia ficou para trás
Data 03/02/2014 20:19:10 | Tópico: Poemas
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Desliza a glória matinal despida de assombrações desta noite sem luar coberta pelo negro viúvo Deslumbro-me vendo-te aparecer pelo azul que teima em recortar alguns rochedos pontiagudos ou o horizonte pleno do olhar apenas sorrindo.
Sonho que se afugenta indelével Liso espelho sem refletir contrários tão presentes Piedade apenas pela gratidão de um mergulho infinito No salso reino que habita o coração dos homens. Habita-me.
Quando tudo se silencia ouço-te. Resplandeces pela Afonia do grito que estrebucha moribundo Ou por palavras que apago enquanto a mente descansa De um intenso respirar das ondas sobre a areia solta Onde Náufragos rastejavam terminando viagens. Sobrevivo-me.
Valerá a pena esperar num cais coberto pelo mar em fúrias?
Dir-te-ei do manto de água que cobre a tua chegada Dir-me-às então do poema que um dia ficou para trás Preso ao espaço esperando pelo nascer das orquídeas tardias Que avançam de frente para o mar
Sempre errante.
Cobre-me de ti
Apenas.
(Ricardo Pocinho)
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