
HÁ
Data 29/01/2014 12:15:46 | Tópico: Poemas
| . Há
Rostos dos dois lados, quase gente. Chão desenhado preto e branco, fúria mansa em janeiro. Tudo sempre impenetrável. Ela reage pouco aos estímulos: luz.Luz?
Pega o ônibus e vai. (pra onde ela vai?) Janela toda aberta, vento quente, unhas por fazer. Para além das esquinas, muito nada, outdoors, ruas assombradas, pedrinhas no caminho.
Sua face é de ovelha, é de raposa, é de loba, é de cobra, é de barata, é de vampira, é deformada, é branca, é amarela, é isso. É isso.
Quando tateia a blusa, procura o que ainda existe, lendo a pele em Braille. Desce do ônibus, já armada: o último leão é morto. Mas, é ela quem jaz arrependida, cansada, cansada de viver.
Chuveiro frio, comida fria, existência sem essência, filosofia de última hora: o inferno são os outros, as outras e ela mesma das 5 até a hora que fecha. Fecha os olhos, respira, odeia, odeia odeia. Há uma grande extensão de luzes morrendo pela janela. Há.
Karla Bardanza
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