
origami
Data 27/01/2014 00:12:17 | Tópico: Poemas
| Esqueci as orientações bíblicas do vento leste que me levariam ao paraíso - numa dobra de nuvem, no decote do vestido que me deste, nos bolsos do tempo, nas tuas partidas sem aviso nem advento.
Porque, como as manhãs nascem por cansaço, assim o vincar lento das esperas é vício mecânico às asas de origami dos pássaros que rasam os meus olhos.
"- Que queres...? a seda é uma rota de sentidos, um deslizar de fluídos, um toque frio e doce, em intermitências de brisa, nada mais..."
E eu que, dentre as coisas essenciais, creio além da polpa dos dedos, aquém dos mapas pontuais e da finitude dos mares; eu, que acho a textura dos medos um preâmbulo de viagem, um caminho descoberto na faísca que nos funde os olhares... fiz de conta que não ouvi o que disseste, e voltei à sequência das dobras, nas minhas mãos clandestinas.
O papel é matéria que o tempo divide em barcos de brincar - e eu só hei-de crer que o amor regressa sendo primeiro em cada vez, como quem mente dizendo que não há duas sem três.
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