
Cesta de vime - Homenagem ao Dia dos Pais (AjAraujo)
Data 19/01/2014 23:36:03 | Tópico: Poemas -> Saudade
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Aquele caminho, - levava ao açude - era de saibro, em multicores,
Dava gosto pisar, com o pé descalço de moleque aquela areia fina,
Havia um terreno, pequeno roçado, onde meu pai plantava, hortaliças e abóbora,
Dava gosto de ver Aquela rama espalhada com os pequenos brotos de abobrinha, ainda verde.
Saía bem cedo para molhar as verduras alface, couve, cebolinha, com o regador de latão.
A água brotava generosa no poço a flor da terra e no "ladrão" do açude que escoava o excedente
Meu pai colhia o pé inteiro cortava a raiz com seu canivete que ganhara de um gringo dizia que era suíço
Enquanto isso montava a cesta de vime com os pés de alface, os molhos de salsa e couve,
Verdureiro, olha o verdureiro verduras frescas pra seu almoço Saía batendo de porta em porta pra levantar alguma grana
Felicidade era dizer que tudo fora plantado por meu pai José e que estava tudo fresco
De vez em quando molhava as folhas no cesto para que elas não perdessem o viço.
Eu tinha entre 11 e 13 anos E quando não vendia verduras levava as marmitas e pratos do almoço pro refeitório da fábrica.
Depois tinha que correr, As aulas do curso ginasial começavam sempre às treze horas, E hoje tinha geografia
O professor Nelson Maranhense com sotaque nos fazia viajar em planícies montanhas, rios, cerrados
Mas, aquele caminho às margens do Rio Piraí, até hoje recordo com saudade e aquela areia que fazia cócegas nos pés. AjAraujo, o poeta humanista, escrito em 19-Jan-14, recordando minha infância em Santanésia.
Imagem: Estação Ferroviária de Santana de Barra.
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