
AO FIM AO CABO
Data 08/01/2014 21:32:36 | Tópico: Poemas
| AO FIM AO CABO
Dentro da noite que acende o pranto Me remendo a pontos largos de chuleio Aparelho as rédeas soltas em decanto Neste imenso em mim, que é quase tanto Como a nada que esperei, e sempre veio.
Revesti-me de talentos, me poli, Vaidoso, narcisista e convencido. Os trajes que me deste, eu os vesti, Eu os usei, E os rasguei Mas já não sei Quando os despi.
Quisera-te cingir, roubar o cabo, Não fosse ao fim ao cabo este meu querer; Ter-te em mim num corpo quente, abandonado, Demorando em mim o tempo do pecado Que trago ancorado, Desde o nascer.
E cresce em mim o pêndulo do acto, Mudo de roupas e revisto-me de penas! Me pinto de mil cores em abstracto, Me escrevo a sangue vivo, me retrato Nos rostos encobertos dos poemas.
Me dou em prados, para que possas repousar. Soltando o riso da ternura e do cansaço, Pinto a primavera em teu olhar, Faço da terra, o teu respiro o teu folgar, E do meu lar, O teu regaço.
Vem toda nua, minha sina, minha amada! Assim te espero, neste manto de desejos! Quero de ti a pele macia e acetinada, Para cobri-la meu amor, vestida à beijos. Beija-flor
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