Duas Vogais E Duas Consoantes ( Ó , Cruz, Ai , Me ! )
Data 21/12/2013 20:42:05 | Tópico: Poemas -> Natal
. Duas Vogais E Duas Consoantes ( Ó , Cruz, Ai , Me ! )
Do poema basta-me ... o último ! aquele que não escrevo , de súbito ! a retroceder para a manjedoura onde nascem as crianças condenadas pelos nomes que o peso do passado histórico , condena ! e , como por milagre , os reis , abraçam-me ! iluminados por aquela bela estrela , estilhaçada ! pelas mãos sujas dos sacerdotes , hipócritas ! ai que de mim nem quero ouvir o nome , na vossa boca , conspurcada ! podeis comprar a praça , podeis comprar os homens , podeis pagar aos pobres que nome não têm , podeis cobrar dos sem-terra , que indigentes são , mas jamais podereis curvar-me as costas , flagelo ! e eu aceno-vos os povos que atravessaram os mundos , por este dia ! que me cega , que me estripa ! Mas não me veda , à razão ! que me eleva no templo onde as vossas trombetas , vendem ! deuses , orações , profetas , no tilintar cunhado , das moedas ! quem sois vós , afinal ? Sois o êrro de toda uma humanidade , sofrida ! que das bestas com vestes d´anjos todos sabemos , nojentas ! mas , ah , rides-vos e dais cambalhotas d´alegria , ó tolos ! porque acreditais que em breve , muito brevemente , num instante ! de mim , que vos aponto a mentira que pregais , vos livrais ! ó como vos enganais , exército d´impotentes , cabeças vossas , prémio ! para o primeiro daqueles que vos apunhalará , fielmente ! mas que sim , se vós o dizeis , porque eu não o digo ? também ! e , deixai o galo cantar que são três os seus toques , anunciação ! deixai o meu irmão negar , que são três os dele , perdões ! mas dos vossos êrros, nem de um esquecerei , anotai ! que importa se minha mãe me chama , não é ela o que eu sou ? que importa se Madalena me segue , não é ela que me ama ? que quereis mais ? se tudo tenho com quem no tudo me tem ? ah , julgais que não aguento , a cruz ! que me pregais às costas , que me subis aos montes , através e ao meio duma multidão de mutilados que jogaram fora , o cérebro ! eis-me aqui vazado de sangue , rasgado de povo que são povos , amados ! não , não me renegarei , não me submeterei ao sim de vós , lei ! "Pai , Pai , porque me abandonaste ? Em Tuas mãos entrego o meu , espírito ! ..." ...
que são três , três são , tal como o canto do galo , tal como o não do irmão , três são os dias da minha mais sofrida provação , vencida ! e , sabeis , quem me espera na saída , dela ? ela , sim , ela ! Maria - dela vim ; Madalena - a ela me entrego ... teimo porque sou para além daquilo que vós enxergais , cegos ! teimo e jamais voltareis a escutar o que vos ensurdece , palavra !
Sim ! podeis levar-me ...
Luíz Sommerville Junior , Eu Canto O Poema Mudo
Ao Trabis, admnistração, colaboradores, poetas e leitores apresento os meu votos dum Natal Muito Feliz. Tudo de bom