Es.finge

Data 07/05/2015 01:34:40 | Tópico: Poemas

Sou assim mesmo, incompreensível,
Se me que quiseres, toma o visível,
E amadura-o nas tuas mãos,
Depois atura-lhe sins e senãos,
Depois mistura-me, se conseguires,
Que eu sou óleo, não vou mentir,
À tona d’água já estagnada
Contendo tudo sem estar com nada.

Sou mesmo assim, indissolúvel,
Mesmo rodando, bastão volúvel,
Eu não me acerto ou só me arrisco,
Até no sonho eu me belisco,
Temendo o fim do mar do sono
Onde me afogo, em abandono.
Se me quiseres, quer-me de um trago,
Onde eu passar, só faço estrago.

Mas se depois desse amargor,
Depois da boca e do estertor,
Sobreviveres… decifra em mim
Este indizível eu em motim,
Imobiliza-o, vence-o por dentro,
Não tenhas medo, não percas tempo:
Se não o fazes na certa hora…
Certo é ser ele quem te devora.




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