
Assim nasce o amor
Data 09/12/2013 15:13:17 | Tópico: Poemas
| Ela era brilhante Um puro diamante Vivia ainda solitária A sua vida diária
Aos três anos sabia Tudo o que queria E queria tudo saber Tinha pressa de crescer
Ele era magro Alto como um espargo Às vezes irreverente Mas muito inteligente
Aos três anos sabia Como a vida o trataria Sabia como falar E a arte de encantar
O tempo os fez crescer Separados sem se ver Em mundos diferentes Criados pelos parentes
A adolescência chegou E ela tudo adorou A escola nem por isso Era chata, um enguiço
Pensava que tudo sabia E aprender mais não queria Para quê saber mais Se sabia mais que os pais
Ele e a adolescência Foi preciso muita paciência A raiva subia por nada Andava sempre à pancada
Mas na escola melhorara Enquanto o resto piorara Revelou-se pessoa genial De um mau feitio excecional
Ela desistiu da escola E foi com a tia para Angola Queria ver mais de tudo Que não precisasse de estudo
Ali ficou alguns anos Convidada dos Angolanos Até que com um deles casou E um dia, este a abandonou
Ele por seu lado Nunca foi casado Continuou isolado Amargo e irritado
E Chegaram os trinta Sem que nada se sinta Apenas a simples tristeza De viver ainda a incerteza
Ela a Portugal voltou Ele o emprego abandonou Empregada de mesa ela ficou Ele, apenas o feitio piorou
E num dia no restaurante Onde ela atendia com desplante Foi ele pedinchar para sobreviver Algo que lhe dessem de comer
Olhando para aquela cara No momento em que tudo para Bateu o seu coração com tremor Ele estava destinado a ser o seu amor
Ele também sentiu a emoção Caíram-lhe as moedas da mão Olhou para ela deslumbrado Agora de tudo alheado
E assim nasceu o seu amor Do fogo que arde sem calor E tudo pareceu de novo brilhar Para a vida de ambos iluminar
Ele arranjou novo trabalho Como cortador num talho Ela foi promovida a gestora Função mais animadora
Casaram meses depois Filhos fizeram dois Um casalinho a ver Manel e Maria a crescer
Os sonhos voltaram Pois nunca os abandonaram Apenas viviam adormecidos Temporariamente esquecidos
Mas um dia aconteceu Ele não ligou nem apareceu Bateram-lhe à porta chamando-a Era a Policia informando-a
Tinha sido um mero assalto Um miúdo magro e alto Ele tinha tentado com ele falar Tentado as coisas remediar Ofereceu-se para o ajudar Tentou-o mesmo abraçar Para da desgraça o consolar O dedo nervoso não quis esperar Disparou a bala que o foi matar
E assim nasceu o amor Que continua com a dor Ela não mais casou Lembrando aquele… …que tanto amou
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