
“me autem non cognoscunt”
Data 01/12/2013 19:12:32 | Tópico: Poemas
| “ — “Flégias, Flégias, estás em vão bradando!” — Disse-lhe o Mestre — “nos terás somente Enquanto formos o paul passando.” — Como quem reconhece, e pesar sente, Um grande engano, que se lhe há tecido, Flégias assim na sua ira ardente.”
A Divina Comédia - Inferno, canto viii
Cabelo desgrenhado, hirsuta barba repta os anseios da tempestade, nas noites outonais entornando gélidas lágrimas, olhos derramados, não aquece nenhuma flama da terra, nem há das estrelas o alvaiade, a todos quer enlear como vento, como numa chuva lavar os pecados. Ninguém restou para os sepultamentos, nem a dormir na cama fria, só zombeteiro pendente, oscilante pêndulo insólito mede o templo, enquanto da rasgada chama escura das velas da alma quer alforria, carrega indócil a carga fatídica longe do chão a espelhar o exemplo. Oh, venha para esta escuridão. Não haverá de sorrir, benevolente, sonhando com alvíssaras de fadas benfazejas, distribuindo loções, toda a vida neste impacto, num vaticínio a medi instantaneamente.
Em consonância com as vagas da sorte ouvira de somenos discursos, talvez, alem das amiúdes janelas mal iluminadas passe a ver clarões; Ah! não me reconheço, sequer entre soluços desta noite nos cursos.
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