
RÉQUIEM do COMÉRCIO
Data 04/01/2008 21:19:04 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| Conhecia o comércio tinha o corpo de macho marcado pelos carinhos de almas desesperadas de solidão.
O desejo de liberdade era irreal, como irreal era a linguagem de mito no auge do caos político. Ao submundo agradecia o desprezo das mulheres, nunca o amor fez bem ao lado de homem, o amor foi o castigo por negar a mulher, e o abandono o flagelo da lucidez. A política um videoclip para calhordas.
II
Morrem de tédio reis nos castelos de areia do deleite carnal e a chave da multidão-soberana no anonimato é a riqueza do futuro.
Quasimodos galanteiam megeras na escadaria da catedral do crime, as máscaras dos hipócritas rolam nas ruas desertas dum domingo chuvoso.
III
O equilíbrio era o repouso da fúria, a carência deixando de quatro sob a sofreguidão do Poente, terrível o encantamento que revela a diferença diferença: o princípio! cavalos derrapam nas lágrimas a noite revelou identidades no lado grotesco do submundo dos prazeres onde desastres espreitam motoristas assustados pela aparição da lua (onde cabeças degoladas criam raízes e dão flores pelas bocas)
IV
A mulher o corrompeu. Agora ele busca a destruição. Reduzido à indigência, despojou-se da moral e descobriu a natureza: imprestável. Foi sempre o covarde – o desejo a derrota da condição. Galopou entre deuses apenas para sentir a demência dos impotentes A demência (a dama dos inoportunos e dos tímidos). Tornou-se pessimista tornou-se imundo. Assim como os cépticos vivem a miséria da hipocrisia, fracos fazem do brilho a lama da estupidez, incapazes de viver o amor da tragédia. A mulher o ócio o drama das noites vazias. O que nele é repulsa, a cínica tranqüilidade é apenas o sintoma de uma derrota. O que nele é podre, é a sede de poder que asfixia no silêncio. A paixão redime-lhe a glória, exercida no amor cujo massacre é o vazio
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