
ALGAZARRA NA CAPOEIRA
Data 15/11/2013 15:08:11 | Tópico: Poemas -> Crítica
| ALGAZARRA NA CAPOEIRA
Sempre em constante alvoroço Estão ali dentro no galinheiro, Os pintos levantam o pescoço E não pedem senão dinheiro!
Dinheiro, mas para quê?, Diz-lhes a mãe aperaltada. O seu brilho só se vê Nas mãos de gente afamada!
Eu sim, já sou senhora, Já posso ter tal vintém, E não esperem pela demora Serei mais rica que ninguém!
Por isso não me incomodem, Deixem-me acabar esta malha, E não voltem cá, que podem Despertar a atenção da canalha!
A algazarra era tal, Que nem assim se entendiam, Foi preciso vir o pai galo Para ver o que faziam!
A sua crista vinha a tremer, E majestoso o seu andar, E pela maneira do seu parecer Viu-se bem que ia falar!
-Ó filhos rabugentos, daninhos, Depressa para a cama dormir, Ai daquele que saia do ninho Sem primeiro, licença pedir.
E àquele que transgredir Não lhe direi absolutamente nada, Mas ninguém me pode impedir De lhe dar uma grande bicada!
E agora que já tudo disse, Desapareçam depressa daqui! Não houve quem não o ouvisse, Os pintos já não estavam ali!
Dirigiu-se então à galinha Que muito bem se aprumava E falou-lhe como a uma tolinha Para ver quem era que ganhava!
-Ó tu, inconstante criatura, Que não sabes qual o teu dever, Se em vez de olhares à usura, Olhasses o que devias fazer!
E então só para enganar Pões-te a fazer essa renda, Dei conta depois de casar, Mas saíste-me uma tal prenda!
E agora vou eu dormir, Que mais hei-de eu fazer? Com esta malta a pedir Aquilo que eu não quero saber!...
(crítica a determinadas famílias que existem à nossa volta)
 Manuela Matos
|
|