
Feira
Data 25/10/2013 22:20:23 | Tópico: Poemas
| Quem os visse com seus corpos agitados De olheiras escuras por entre tanta cor Julgaria que os sonos de acordados Se juntavam tanto à vida como à dor
Entre esses olhos de vendeiros eu bem sei Que há uns que se requebram a abrir Dá-se a venda por um só conto de rei E sem troco vejo a minha alma cair
Mercadorias emancipadas permanecem A deslizar por entre mãos esfomeadas Dá para lembrar as aranhas que tecem As armadilhas das casas abandonadas
Nem sempre se compra o que se toca Nem o insecto morre sempre na teia Cabe à coragem ou habilidade da foca Um malabarismo que liberta a ideia
Comprou ou julgou comprar barato Achou já em casa o arrependimento É bem chato ver no próprio retrato Um propósito feito pó de um momento
Tanto sentimento dá a feira num dia Que será por isso que de semana se repete Desejo, arrependimento, orgulho ou folia Que um só dia enche a boca de sete.
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